terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Capítulo 3.


Chegando em frente à porta, perguntei se não seria perigoso entrar ali e sermos pegos, mas ele disse que já havia feito isso algumas vezes.

Justin: Cuidado onde pisa. - ele pôs suas mãos em minhas costas, tentando me guiar. - Eles não deixam as luzes acesas de jeito nenhum.
Eu: Uhum. - assenti.

Viramos à esquerda em um dos corredores e abrimos uma pequena porta de aço, que dava direto para a avenida dos fundos do McDonald's.

Eu não conseguia dizê-lo "Então... Obrigada. Tchau". Era bom ter uma companhia silenciosa, compreensiva, calma, pensei novamente.

Ao sairmos, o sol já estava mais baixo, iluminando os nossos rostos diretamente nos olhos.

Justin sorriu pelo nariz:

Justin: Seus olhos ainda estão vermelhos. - murchou o sorriso logo em seguida.

Sorri de leve e tentei mudar de foco:

Eu: Os seus - dei ênfase na última palavra -: São sempre assim? Quer dizer, são cor de mel bem clarinho sempre?
Justin: Sim. - juntou as sobrancelhas enquanto afirmava - Mas eu achei que fossem castanhos-claro. - suavizou a expressão.

Sorrimos.

Justin: Se não for pedir muito - começamos a andar automaticamente -, você pode me contar o que te deixa tão distante de nós?

Pensei que ele fosse insistir em cutucar minha ferida, mas suas palavras desviavam do meu caminho. Não me atingiram de forma alguma... Porque ele era tão diferente?

Eu: Como assim? - meu tom estava rígido.
Justin: Não, não tô te forçando a me contar. - ele se explicava preocupado - É só se quiser.

Viramos a esquina à direita.

Pensei um pouco com a expressão desentendida e resolvi:

Eu: Eu não sei se conseguiria me entender - passei as mãos sobre os olhos, procurando limpar qualquer lágrima que tivesse ficado.
Justin: Tenta. - seu tom parecia ter sido mais animado do que ele desejava - Quer dizer... Se quiser.

Seus olhos me fitaram, o sol ainda os iluminava.

Eu: Se eu te falasse em substituição; troca. - observei sua expressão atenta. - O que você poderia dizer sobre isso?

Ele pareceu refletir sobre as duas palavras, até que em breves segundos, descreveu seus pensamentos:


Justin: Eu poderia comentar que é inevitável. Faz parte do ciclo da vida. É apenas uma consequência das suas escolhas.

Franzi a testa. Ele não tava falando sério.

Justin: Talvez seja até inevitável. - deu de ombros.

Minha mente mergulhava totalmente nos seus comentários.

Ele sorriu.

Justin: Você sabe como voltar pra casa?

Arregalei os olhos.

Eu: Quanto tempo andamos?
Justin: Só viramos a esquina.
Eu: Ah. - minha expressão era de alívio. - Acho que conheço aquela rua.
Justin: ... Preciso voltar. Caitlin deve estar preocupada com a nossa demora.
Eu: Ah, tá bom. Obrigada. - sorri.
Justin: De nada. - curvou levemente os lábios e pediu um último favor - Fica bem, tá?

Assenti. Observei-o correr pela rua paralela e quase chegar à esquina. Lá estava Caitlin, seus gestos demonstravam levemente aflição. Ele a envolveu em seus braços, parecendo explicar o que ouve ao mesmo tempo. Caminharam em direção oposta à minha. Esperei até que eles virassem a esquina e segui para casa.


Mãe: Ué, cadê o lanche? - estava na cozinha bebendo refrigerante.
Eu: Ah, desculpa... Mãe. - eu não sabia o que fazer. Fiquei parada na frente dela, as mãos inquietas, meus olhos evitando os dela.
Mãe: Mas... Eu não te pedi pra ir lá no... - desistiu de completar a frase, vendo o meu desânimo, quase chorando.
Eu: É, mas... Eu... Não... Achei o... Lugar. - tirei o dinheiro do bolso e pus na mesa.

Subi pro meu quarto e tranquei a porta.
A minha sorte é que minha mãe não é do tipo de pessoa que fica te sufocando, sabe. Ela dá o tempo da pessoa pensar, deixa você tentar se cuidar sozinho, e depois vê se pode ajudar.


Dessa vez eu não tentei desabar tudo. Eu estava bem controlada e não precisava mais fazer isso. A minha preocupação se dirigia somente a Caitlin e Justin. Talvez eles não queiram mais ser meus amigos depois disso, pensei.
Ninguém iria querer como amiga uma garota depressiva, chorando por todos os cantos, se culpando toda hora e... Chega, pensei, outra vez. Eu tinha que tomar uma atitude e parar de ser... essa pessoa esquisita.

Um estalo ligou minha mente no modo insano de novo.
Liguei pra todos os meus amigos de Manhattam - James, Clarice, Hailey... Esta última me pareceu a menos despreocupada comigo. Mas todos eles pareciam arredios e estranhos, como se fosse a nossa primeira conversa. Eu não conseguia achar a minha naturalidade nas perguntas, nas palavras, palavras essas que saíam forçadas, com cuidado, algo que nunca precisamos fazer nenhuma vez.

Depois de desligar o celular, passei por uma crise de choro que, na verdade, eu havia forçado, e sabia que não precisava tê-lo... Mas parece que algo ordenava dentro de mim, me mandando desabafar tudo de uma vez pra nunca mais ter que fazer isso. Como se eu fosse capaz de controlar as lágrimas. Tinha uma vozinha que dizia que eu teria que botar um ponto final de verdade nessa história de Manhattam. Mas como se bota um ponto final na sua história? Como se apaga a sua vida? Eu não sabia a resposta e mesmo assim obrigava a mim mesma a achá-las.

Bem ou mal, o problema todo era que eu não havia escolhido ter tantos lados distintos e temperamentais e, muito menos que eles estivessem em crise justamente agora. Um lado me dizia pra manter o controle, e que nada era tão horrível como eu pensava. Outro lado me ordenava a admitir que eu tinha culpa em estragar a minha vida simplesmente pelo fato de eu ter nascido e, que o melhor a fazer era chorar, sofrer e espernear o quanto fosse. Mas tinha um outro lado que... O outro tinha uma vontade enorme de acabar com isso tudo; de superar todas as cicatrizes, de não apagar as lembranças e sim aprender a lidar com elas de uma maneira que eu sempre as recordassem com um sorriso sincero no rosto. Esse meu terceiro lado, queria ser amigo de todos, queria mostrar o meu melhor, demonstrar o quanto eu podia amar alguém. Mas o problema dele é que esse outro lado... Ele não vencia nenhum dos outros, ao contrário; ele se escondia e quando havia algum silêncio, ele sussurrava, implorando para que eu o ouvisse e aceitasse a sua proposta. Porém ele não possuía força alguma para isso. Ele se sufocava no grito dos outros.

Às vezes eu me achava sentimental de mais, ora de menos, e às vezes, completamente controlada. Se nem eu mesma me entendia, então como era possível desconhecidos, como Chris e seus amigos, e até mesmo os amigos de Manhattam e, minha mãe, de certa forma... Como essas pessoas todas poderiam conviver comigo?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Capítulo 2.



Eu: Mas... - parei repentinamente - Você me promete, Chris? Me promete de verdade que se eu estiver atrapalhando, se eu me sentir atrapalhando, e eu quiser ir embora, você vai deixar? - minha voz mostrava um desespero sincero.
Chris: O que? - é claro que ele não entendia.
Eu: Não é nada, mas só diz que promete?
Chris: Tá bom, então... - ele ainda me olhava estranho, quando abriu de novo um sorriso - Vem.


Dessa vez ele me deixou escolher entre soltar sua mão e continuar seguindo-o. Escolhi a última opção.


Chris: Oi, pessoal. - ele disse ainda mais sorridente.
Todos: E aí, Chris?
Chris: Essa é a Carla. Ela é novata aqui. Achei que gostaria de... Uma nova cobaia. - ele sorriu, malicioso.


Olhei pra ele como se eu precisasse fugir naquele mesmo instante. 'Cobaia'?? Todos riram.


Alguns me olhavam analisando os meus gestos, antes de se aproximarem, e outros estavam sorrindo.


Ryan: E aí, Carla? - ele disse sorrindo, se levantando para me cumprimentar com um beijo ousado no rosto - Meu nome é Ryan. Prazer, viu?
Eu: Igualmente... - disse um pouco ou muito tímida.
Payton: Oi! - ela disse se levantando e me cumprimentando. - eu sou a Payton.
Eu: Oi, Payton - sorri sem precisar forçar. - Chris estava falando de vocês pra mim.


Alguns segundos depois, a tensão sumiu e todos vieram se apresentar.


Um garoto em particular, me chamou atenção; tinha os olhos tão vivos que me prenderam instantaneamente. Se levantou antes de todos e me cumprimentou normalmente, sem mostrar estar querendo me prender naquela cor mel dos seus olhos. Não entendia o que havia de errado naquilo, mas eram vivos e não se faziam esquecer, nem sequer bloqueá-los da minha mente eu conseguia. Eu só podia estar paranoica.


Justin: Oi - ele disse se afastando um pouco - Ju..
Eu: Justin. - interrompi. - Er... Acho que ainda lembro de... de todos os nomes. Chris me falou a pouco tempo.


"Como assim...? Não devo explicações...!"


Apesar do enorme medo de não ser aceita e da timidez, consegui lidar muito bem com todos,que, sem exceção, falavam incansável e incontrolavelmente sobre coisas aleatórias. Eu mal tinha tempo para processar as palavras.
Os Beadles - Caitlin, Becca e Chris - eram muito bons em contar piada, enquanto Chaz, Ryan e... Justin, o garoto dos olhos diferentes, eram excelentes encrenqueiros - acabavam com suas piadas, desdenhando o motivo de tantos risos. Mas eu estava do lado de Kristen e Becca, que sempre arranjavam uma maneira de fazer as duas "gangs piadistas" encrencarem.


Ao bater o sinal, todos se despediram e caminharam de volta às suas salas. Como o esperado, Chris ainda não havia terminado de conversar comigo sobre todos os assuntos que queria. Então eu sempre olhava para a professora, tentando fingir que prestava atenção na sua aula.


Chris parecia tão atento às minhas reações, que eu quase pensei em desistir de ser sua amiga. Qualquer gesto meu, necessariamente, teria que significar alguma coisa pra ele. E se ele não conseguisse decifrar, perguntava.


Chris: Você está chateada comigo? - ele perguntou, pela milésima vez, depois de me ver suspendendo as bochechas com as mãos em punho.
Eu: Ah... Não, não! - disse rapidamente assim que voltei a prestar atenção em Chris.
Chris: Ah... Então - Ryan perguntou se estava sendo indiscreto demais dando cantadas na garota de olhos claros e sabe o que eu respondi? - disse num tom calmo e esperou até que eu perguntasse "O quê?" - "Ah... Não, não!" Igual a você. - ele disse sorrindo animadamente - Mas eu estava sendo irônico sabe...?


"Isso foi uma indireta?"


Chris: ...Então aquela garota, a Sandy, sugeriu que era melhor levá-lo pra casa. Ele estava tropeçando nas próprias pernas e  Justin não aguentava mais de tanto rir. Eu tenho quase certeza que se tivéssemos ficado na casa das garotas mais um pouco, os policiais não tinham nos pegado.


Sorri sem mostrar os dentes.


"Alguém aqui é normal o bastante para não parecer um papagaio?"




Almoçando em casa depois do colégio.


Eu: Não que eu tenha achado eles muito... Entediantes e enjoativos pelo fato de falarem demais... - expliquei à minha mãe ao comentar sobre meus supostos novos amigos. - Só não estou acostumada em manter longas conversas, dessa maneira.


Olhei novamente para analisar sua reação. Ele pareceu entender.


Mãe: Então... Eles são... Tagarelas? - agora me parecia interessada.
Eu: Bom, isso é um modo diferente de se olhar, mas tudo bem. - sorri amarelo. Não tinha como esconder mais.
Mãe: Você é novidade pra eles, que já são amigos há mais de anos. Só espera um pouquinho, eles vão diminuir a curiosidade com o passar dos dias.  - sorriu - Só não quero que perca a paciência e decida ficar sozinha outra vez.


Ela falava como se visse um futuro breve. Como se presumisse que eu tomaria essa decisão. Me irritei por ela achar que poderia tomar o rumo da minha vida por mim. Escolher coisas que me diziam respeito.


"Talvez eu não esteja acostumada com Atlanta, e o jeito como as pessoas se tratam aqui. É só isso, Carla, é só isso..."


Mãe: Mas isso mostra que eles gostaram de você, não é?


Sorri desconfortavelmente tentando manter a calma. A irritação que surgia quando minha mãe se permitia participar da minha vida mais do que eu estava pronta pra permitir me tirava do sério.


Mãe: Ah... Falando em se acostumar: será que você poderia comprar algumas coisas pra gente ali no Mc'?
Eu: Ah... claro - meu sorriso amarelo.


Ela me deu o dinheiro e disse como chegar lá.


No caminho, andei pensando na culpa que eu sentia por ter esquecido dos meus amigos de Manhattam durante quase uma semana inteira. Isso me fez refletir sobre a palavra "substituição". Eu havia prometido que os ligaria assim que pudesse; não liguei pra nenhum deles nem uma vez sequer. Estava entretida demais cobiçando os amigos alheios - nesse caso, os amigos de Chris - pra lembrar que eu já tinha os meus. Apalpei os bolsos da calça jeans e encontrei meu celular. Disquei o número de Lilly, já estava na calçada do supermercado.



Parei em frente a porta do McDonald's virando para o lado esquerdo. Se eu chorasse, poucos veriam.


?: Alô?
Eu: Lilly...? - respondi com medo de que fosse ela. Mas pela voz, não haviam chances de ser outra pessoa.
Lilly: Sim? Quem é?
Eu: Lilly...
Lilly: Oi, Carla... - sua voz me comovia. - Você nem ligou...
Eu: Desculpa, Lilly. Eu estava muito ocupada...


"Te substituindo." 


Eu: ...arrumando minhas coisas aqui. Eu precisava me organizar direito.... Emocionalmente. - eu me sentia a pior pessoa do mundo mentindo pra ela em relação a isso.
Lilly: Ah...


Eu sabia que ela estava se segurando pra não chorar. Senti que ela esperava um motivo melhor pra não ter ligado. E também esperava poder chorar de alívio, mas nessa situação, nunca iria admitir a fraqueza de forma tão humilhante.


Eu: Mas eu prometo - deixei minha voz falhar sem querer - que eu vou ligar sempre, sempre, sempre, tá bom? Não se esqueça...


Poças d'água se formavam ao redor de seus olhos. Quem disse que eu não podia ver?


Lilly: Eu sinto sua falta, Carla. Você sabe disso. Eu vou esperar sempre que você ligue.


Ouvir aquilo era como enfiar um dardo em meu peito, e sair rasgando minha pele como se eu fosse um alface frágil. Exagerado, não é...? Mas era tudo exatamente assim.


Eu: E o resto do pessoal? Como estão?
Lilly: James sente sua falta desde que você disse que iria se mudar. - ela disse rindo - Mas Clarice se recusa a dizer que sente. E Hailey... Eu nunca mais falei com ela.


Respirei fundo e me esforcei para não lembrar dos seus jeitos únicos. Eu amava cada um.


Eu: Lilly, eu preciso desligar. Minha mãe quer que eu compre uns lanches pra gente. - pelo menso sobre isso eu teria que ser honesta.
Lilly: Ah... tudo bem. Se cuida.
Eu: Você também.
Lilly: Tchau.
Eu: Tchau...


Esperei 2 segundos para desligar. Limpei o rosto, pois senti que quando pisquei as lágrimas caíram. Entrei no Mc' e entrei na fila.


O lugar era amplo e, se não fossem pelas pessoas conversando sem parar, as gotinhas que estavam se acumulando nos meus olhos já teria caído há muito tempo. Fazia o maior esforço possível para que elas voltassem, mas eu não conseguia.
Sempre me culpei por ser dramática de mais, ansiosa, por me culpar sempre pelo inevitável e por chorar por tudo. Mas agora estava na hora de agir e me tornar o oposto disso.
Mas dizem que falar é fácil - pensar também - e agir é que o grande problema. Eu estava me sentindo uma verdadeira ratinha fugindo dos meus problemas desse jeito - e preferindo chorar e sofrer a resolvê-los.
Não aguentei por muito tempo e pisquei, mas desta vez, todo o acumulado foi descendo de uma vez só. Uma sensação de fracasso me contaminava e eu não conseguia entender exatamente o porquê.
Senti alguém me chamando, enquanto limpava as lágrimas.


"Nossa, mas minha mãe não consegue esperar nem que as minhas lágrimas sequem?"


Esperei mais um pouco antes de me virar.


?: Carla...?


Congelei na mesma posição em que estava. Não era a minha mãe; mesmo. Mas a voz era familiar.


Eu: Oi... - limpei ainda mais rápido e me virei.


"Fracasso total..."


Justin e Caitlin estavam ali, me olhando executar o lindo processo de fracasso total.


Caitlin: Você tá chorando, Carla? - ela disse num tom relativamente baixo.
Eu: Não! É só... - saí rapidamente para a parte de trás do McDonald's. 


Eu era um fraca. Não sabia tratar ninguém com consideração. Nem a mim mesma.


Sentei da forma mais encolhida que pude, tendo "sorte" por ninguém estar estacionando ou saindo dali. 
Comecei a chorar o máximo que podia - sem emitir nenhum som -, pra ver se as lágrimas iam embora de uma vez e eu conseguia andar pelas ruas de uma forma decente. Mas, como a sorte tinha sido muito grande quando percebi que estava sozinha ali, alguma coisa tinha que dar errado.


?: Carla... O que aconteceu? - alguém tocou meus ombros.


Eu não queria levantar a cabeça, principalmente porque meus olhos deviam estar vermelhos.


?: Cailtin está preocupada com você - sentia o arrepio que suas mãos, descendo até meus cotovelos e parando, me causaram; ao mesmo tempo em que sua voz surtia o mesmo efeito.


"Eu também já ouvi essa voz."


Levantei meus olhos. Era engraçado, mas nele eu confiava. Bastante até, porque eu simplesmente detestava quando me olhavam chorar. Mas, de alguma forma, eu sentia que ele poderia me entender.


Justin: Ela não veio até aqui porque pode parecer desconfortável pra você. Então ela pediu pra que eu dissesse alguma coisa... - ele explicava, enquanto a incerteza guiava sua voz. - Mas, sinceramente...? Eu não sei o que dizer.


Segui os seus olhos, até que ele se sentou ao meu lado. Desviei os meus olhos inchados pra bem longe.


Justin: É, eu não sei como isso pode te ajudar.... - ele fez uma breve pausa - Mas, tudo vai ficar bem. 
Eu: Tem certeza? - eu o desafiei, ainda olhando longe.
Justin: É sempre o que me dizem quando estou assim. E sempre no que eu acredito quando me sinto assim, triste. Confuso.
Eu: Você não sabe nem da metade...
Justin: Tá certa. Não sei.


"Cadê aquele 'mas' que todos usam depois de frases assim??"


Mas era bem isso o que eu estava querendo. Nenhum conselho. Só uma presença silenciosa.


Eu: Eu não gostaria que ela me visse assim... - ele pareceu não entender. - Não gostaria que Caitlin me visse assim.
Justin: Hm... Posso te ajudar a sair daqui, aí você volta pra casa e eu digo que você preferiu ficar sozinha.
Eu: Obrigada. - sorri. - Seria ótimo.


Levantamos e fomos para o portão de funcionários, que dava para o outro lado do McDonald's.


Continua...



sábado, 14 de janeiro de 2012

Respondendo Antecipadamente: "Quando você vai postar de novo?"

Eu nãos sei ao certo quando eu posso estar postando novos capítulos e interagindo com as leitoras, se um dia eu tiver. Mas, enfim, eu faço o impossível pra postar o mais rápido que der. Então eu já peço paciência desde já.

Capítulo 1.



"Queria que nada daquilo estivesse acontecendo. Queria profundamente que o que meus olhos estivessem vendo, o que meus ouvidos estivessem escutando fosse pura mentira, invenção... Sei lá. Mas nada do que eu não queria deixava de ser verdade.
As lágrimas escorriam, os olhos ardiam, a cabeça doía. Era tudo um grande problema. Era tudo doído, hematoma recente, grandes atitudes violentas e nenhuma palavra de amor. A não ser ele. A não ser o que ele dizia. A não ser a suas atitudes de certeza, que me protegiam e me consolavam diante daquele mundo de dúvidas onde eu me encontrava. Onde eu menos queria estar.
E ao mesmo tempo, as coisas iam se misturando, até chegar a um ponto em que se eu desistisse de sofrer, se eu desistisse de chorar, eu desistiria de nós. Desistiria de enfrentar o resto do que faltava pra que aquele eu e você fosse construído. Largaria aquele muro que gastamos tempo e sentimentos para fazer e deixaria que a minha vida me levasse para qualquer outro caminho desconhecido. E a única certeza que eu tinha era que aquele era o único caminho ao qual eu queria trilhar. E qualquer passo, qualquer "a", qualquer som fazia com que eu derrubasse um tijolo do muro de proteção em minha volta. Um muro que eu sabia que cairia a qualquer hora, mas me negava a acreditar."

Restrospectiva...

Estava dentro do avião, olhando as nuvens através da janela e obrigando aquelas lágrimas a voltarem para seus devidos lugares. Eu não queria chorar. Não ali, não agora. Porque eu esperava que minha intuição tivesse me enganando.
A questão era que eu não queria viver em outra cidade, não queria morar de novo com minha mãe. Não que eu não gostasse dela, mas a relação que eu e meu pai construímos, demorou muito tempo pra ser sólida. Foram anos e anos só eu e ele ali, na pequena casa em Manhattam e eu não queria destruir isso. Eu aprendi a criar uma relação de afeto e confiança com ele, e isso jamais seria possível se eu tentasse fazê-lo com minha mãe.

[...]
Assim que saí do local de desembarque, ela, minha mãe, veio imediatamente ao meu encontro, e eu ao dela.

Mãe: Como está a minha garotinha crescida? - ela me abraçava fortemente, me acolhendo em seus braços como se quisesse me proteger de tudo ali.
Eu: Bem...
Mãe: Senti sua falta, meu anjo.

Hesitei em responder, mas cedi em seguida:

Eu: Eu também mãe. - sorri ao desfazer o abraço.
Mãe: E como você veio na viagem? Foi tudo bem?
Eu: Foi sim, só demorou um pouco...
Mãe: Pra mim demorou a eternidade...

Sorri. Era doído pra mim pensar que o amor ao qual eu estava recebendo agora não era recíproco. Eu a amava, mas não o suficiente para ter a certeza disso.

[...]
Ao chegarmos em casa, ela me apresentou meu quarto e disse que não pintou as paredes de uma cor totalmente feminina, pois ela não sabia se adolescentes gostavam de rosa, roxo, ou vermelho.

Eu: Ficou lindo. A cor está ótima. - sorri enquanto observava o quarto.

Duas das paredes eram laranja e o resto branco. O guarda-roupas era o maior possível e a cama era de casal. De todas as minhas amigas de pais separados, eu era a única que tive sorte em relação a isso.

Mãe: Quer que eu te ajude com as malas?
Eu: Imagina, mãe. Está tudo bem, pode deixar que eu guardo tudo.

Pausa. 
Percebi que ela esperava que eu dissesse "sim" para que tivéssemos mais algum tempo juntas.

Mãe: Tudo bem. - ela sorriu amarelo. - O almoço já está pronto, você pode descer quando quiser.
Eu: Eu vou daqui a pouco então. - sorri.
Mãe: Tudo bem. É... Eu vou descer, mas qualquer coisa, você me chama. Tá?

Fiz que sim com a cabeça.

Mãe: Qualquer coisa mesmo. - ela sorriu e saiu do quarto.

Uma enorme dor na garganta surgiu e eu já sabia o que era. Era o choro pedindo passagem pra desmoronar-se através dos meus olhos. Sentei na cama e cobri meu rosto com as mãos. Não era possível que alguém tão forte como eu fosse capaz de chorar por causa da distância.

"Distância são meros quilômetros perto do que eu construí em Manhattam. Não preciso chorar por causa disso."

Levei algum tempo para me recuperar, e imediatamente depois, desci para almoçar. Se eu ficasse mais um pouquinho sozinha, acabaria cedendo às lágrimas.


Segunda-feira, 09:40 a.m. Na frente do meu novo colégio.

Mãe: Carla, não fique com medo, está bem? Tenho certeza de que todos irão te receber muito bem aqui.
Eu: Eu estou bem, mãe. Pode deixar, não vou ter problemas quanto a isso. - sorri confiante, despedi-me dela e atravessei o portão da escola. Meu estômago dava cambalhotas dentro de mim.

Ao passar pelo portão da escola, me preocupei em fitar constantemente meu all star. Não queria manter contato visual com ninguém.
Ao entrar na diretoria, mostrei a declaração do meu antigo colégio e a atendente de guiou até minha nova sala. A vontade era de sair correndo.

Ao bater na porta, a professora fez sinal para que eu entrasse. A atendente se despediu e eu abri a porta bem devagar. Todos olhavam pra mim.

Professora: Olá. Você deve ser a Carla... - verificou um papel em sua mesa - ...Baker?
Eu: Sim... - sorri envergonhada.
Professora: Seja bem vinda - sorriu e se virou para os alunos - Bom, turma, hoje nós estamos recebendo uma aluna nova, Carla Baker.

Alguns disseram "oi". Respondi um pouco mais alto.

Professora: Pode se sentar ali, atrás de Christian. - ela apontava para um garoto com os cabelos jogados para o lado e ele ergueu a mão.

Caminhei em direção a ele, esperando que ele me cumprimentasse para que eu não tivesse que ignorá-lo e passar por rude ou alguma coisa parecida.

Christian: Oi. Pode me chamar de Chris. - ele sorriu.
Eu: Oi. Carla. - apenas sorri, pois ele já sabia o meu nome.
Christian: Você vai precisar das matérias anteriores ainda? - ele me acompanhava com os olhos até eu me acomodar.
Eu: Como assim...?
Christian: Se ninguém te passou as matérias, eu posso te ajudar.
Eu: Ah, claro. Tudo bem, então. Obrigada. - a última palavra ele quase não pode ouvir.
Professora: Bom, Carla. Eu sou a Rose e ensino Literatura. - ela sorriu e eu fiz o mesmo.

Ela retomou a aula e, enfim, eu pude relaxar.

Mas eu não sabia como fazê-lo. Os alunos de vez em quando me olhavam, conversavam com alguém ao lado e parecia ser sobre mim. Isso é bem o tipo de situação que não me deixa relaxar.

*Bate o sinal*

Todos saem desesperadamente para fora, como se o ar da sala estivesse contaminado, acabando ou alguma coisa assim.

Levantei sem pressa, depois de guardar os materiais que nem usara. A professora logo me chamou:

Professora: Bom, eu tenho alguns textos das matéria anteriores que passei anotadas no caderno, e certamente você irá precisar delas para que possa estudar para a prova. Então eu pensei que poderia te emprestar o caderno, mas o restante você terá que arranjar com outros alunos.
Eu: Mas é que o garot...
Christian: Não se preocupe, professora. Eu tenho todos os textos - inclusive de todas as matérias - e já me propus a emprestar os meus cadernos.

Olhei para trás e o agradeci com os olhos por me poupar de explicá-la alguma coisa. Ele entendeu e assentiu.

Professora: Sendo assim, com licença. - ela sorriu, pegou suas bolsas na mesa e saiu da sala.

Bem, se antes eu o agradeci por me poupar conversas, agora eu o culpava por me deixar sozinha, com ele, sem ter como sair dali sem falar alguma coisa.

Sorri instantaneamente e caminhei lentamente para a minha mesa.

Christian: Você conhece alguém aqui? - pôs as mãos nos bolsos da blusa.
Eu: Eu...? Não.
Christian: Bem, eu tenho muitos amigos - pausa - Eles são bem legais...! E, eu pensei que quisesse companhia no almoço. Pra não ficar sozinha, sabe. Eu sei como isso é horrível...
Eu: Muito obrigada, mais uma vez, mas eu estou bem. - disse da maneira menos rude possível - De verdade. - sorri, mentirosa.

Ele sorriu de volta:

Christian: Bem, então, sendo assim - ele disse imitando o jeito de andar da professora - Com licença! - começou a rir.

Sorri de canto e o segui com os olhos até que ele saiu da sala. Fiz o mesmo logo depois.

Andar naquela escola era terrivelmente apavorante. Ninguém sabia quem eu era, eu não sabia quem eles eram. Era meio como andar sobre um campo minado - você nunca sabe onde está pisando.
Eu estava com fome, mas não o suficiente para me fazer enfrentar a fila gigantesca para comprar a comida. Olhava para um lado, olhava para o outro. Ninguém me parecia familiar. Isso era algo que eu já esperava, mas constatar aquilo me frustrava mesmo assim.
Depois de andar um pouco para conhecer a escola, vejo Christian, o garoto com quem conversei na sala de aula. Ele estava com seus amigos, eu deduzi. Sorria, brincava, fazia o possível para parecer feliz. Mas talvez ele não se esforçasse. Talvez ele estivesse mesmo se divertindo com os amigos. Como ele havia dito, "Eles são bem legais...!". Por um instante me arrependi de ter recusado o seu convite, ele parecia ser legal. Fiquei pensando se quando nos falássemos de novo - provavelmente para me emprestar seus cadernos - ele iria agir da mesma maneira convidativa e simpática.

Ao chegar em casa, minha mãe me perguntou como havia sido, e eu respondi da maneira mais alegre possível que todos me receberam muito bem, e que mesmo no primeiro dia, já havia feito muitos amigos. Ela me pareceu feliz com a resposta.

Quinta-feira, 12:10 a.m. No colégio.

Era hora do almoço e, Christian havia me chamado para saber quando poderia me emprestar os cadernos.

Christian: Eu só não posso te emprestar todos de uma vez, então o dia que eu não tiver lição em alguma matéria eu empresto. Tudo bem pra você?

Estava um pouco desligada, olhando para seus amigos ao redor de um banco na grama, bem atrás dele. Estavam tão sorridentes que a minha vontade era de  me intrometer na brincadeira a qualquer momento. Me lembrei do que estava me fazendo ficar assim, do quanto eu sentia falta de um amigo.


Christian: Carla...?


Olhei-o rapidamente e respondi:

Eu: T-tudo bem. Tá, tá bom! Então eu... Quando eu posso pegá-los?
Christian: Pegar o que? Os livros? Ah, quando eu não tiver lição na matéria, lembra?
Eu: Ah, desculpa... - sorri amarelo e involuntariamente voltei a olhá-los.

Christian seguiu meus olhos e sua expressão dava a entender que ele não entendia o que eu estava fazendo olhando seus amigos, já que recusei seu convite para conhecê-los.

Christian: Ah, você os achou! - ele disse sorrindo - Deixa que eu apresento: aquele idiota usando a toca de pato é o Ryan; a menina loira tentando tirar a toca dele é a Payton; do lado dela está minha irmã, a Caitlin. Ela é mais velha que eu, todos são. Bem... Aquele ali, olha - ele apontou -, aquele com cabelinho de gay - fiz uma careta. Não entendia nada, porque Christian falava isso se tem exatamente o mesmo tipo de corte? -, ele acabou de jogar pro lado, viu? É o Justin, o namorado dela; do lado dele tem alguém bizarro rindo escandalosamente - é o Chaz. Os outros ao lado são minha prima Becca, e uma amiga nossa, Kristen. Todos eles tem a mesma idade - ele disse um pouco frustrado, eu sorri com sua reação - Isso é injusto, porque só eu sou mais novo. Eles me enchem o saco 25h por dia.

Soltei uma gargalhada exagerada, eles puderam ouvir. Parei e corei exatamente na mesma hora. Olhei ridiculamente para meu all star.

Christian: Que foi? Não fica com vergonha não...! Vem - ele segurou minha mão e me puxou em direção a eles -, vou te apresentar e te provar que eles são legais.
Eu: Eu tô bem! - fazia esforço pra permanecer o mais parada possível.
Christian: Ah, você sempre diz isso: "Eu tô bem!" - me imitou com uma voz fina e engraçada - Eles não vão morder. E além disso, não vão fofocar sobre você com ninguém. Eles são... Diferentes. - disse a última palavra com um tom mais sensível e calmo.

Relaxei no mesmo instante, mas a minha face ainda não mudara. Eu estava confusa sobre o que estava prestes a fazer. Pode-se dizer que isso é uma forma de rejeitar os seus amigos, só porque os deixou pra trás e, passar a preencher seus lugares com novas pessoas? Com desconhecidos?

Eu: Christian...
Christian: Chris! - ele interrompeu - Por favor. - sorriu.
Eu: Tudo bem, Chris. - minha face retomou à expressão atordoada - Eu não sei se isso seria uma boa ideia. Pelo o que vejo há alguns dias, vocês parecem se conhecer há bastante tempo.
Chris: E...? - ele dizia como se isso não importasse ou não fizesse o menor sentido.
Eu: Eu acho que seria desconfortável se eu... Se eu tentasse criar um lugar pra mim ali no meio deles, do nada.
Chris: Todos nós um dia fomos desconhecidos. Até minha própria irmã teve que se acostumar comigo quando eu nasci.

O jeito como ele argumentava simplificava a situação pra mim. Era calmo, e divertido ao mesmo tempo. Eu sabia que podia confiar nele.

Sorri involuntariamente. Não queria ser rude então, eu aceitei.

Continua no próximo capítulo...

Introdução - "Sinopse"


Carla Jane Baker é uma simples e não mais do que comum garota de Manhattam, onde mora com seu pai desde que tinha 4 anos de idade, quando sua mãe decidiu se separar para seguir o seu sonho. Desde então, eles têm sido grandes companheiros, mas anos depois, sua mãe decide que a justiça é quem deve dizer quem ficará com sua guarda.
Meses depois, Carla se vê sozinha, a não ser pela companhia de seus próprios pensamentos, num lugar completamente diferente de onde estava acostumada a viver. Sem amigos, sem ninguém com quem desabafar suas dores, ela conhece Christian, um colega de sala, que logo a apresenta para seus outros amigos - e lógico, todos eles a adoram. Mas algo a faz querer ir mais além do que uma amizade - é quando Carla se torna a melhor amiga de Justin, o namorado de sua melhor amiga. Mais uma vez, ela se encontra em um mar de sentimentos, que se misturam cada vez mais. Ela não sabe se deve preservar as duas amizades e reprimir esse sentimento, ou lutar por algo que ela nem sabe se é recíproco. Algo forte demais pra esconder por muito mais tempo. 
Em meio a tantas turbulências, Carla aprende muito mais do que deveria saber sobre amor, dor e amizade.